Relato Pessoal: Advogada aos 21 anos

O post de hoje tem uma proposta um pouquinho diferente. Vou explicar:

Essa semana, graças a comemoração do dia do advogado(a) em 11/08, eu finalmente fui na pasta de fotos digitais da minha formatura no computador, e resolvi salvar algumas no celular para decidir qual postar. Acontece que eu amei várias hahaha e acabei postando um book de “#tbt” no Instagram. Pra não ficar feio, escrevi umas legendas bem humoradas e ACHO que não “enchi o saco” dos meus seguidores (a gente se engana, né?).

“Aquele canudo que vem sem nada dentro e você ainda espera mais 2 meses pro diploma ficar pronto. #elemesmo.”

Com tanta foto da minha época de formada nas redes sociais, eu recebi umas perguntas sobre o assunto e também um pedido específico para eu contar mais sobre essa minha trajetória – seu desejo é uma ordem, Suellen Gonçalves! 🙂 Então aqui vai!

  • “Começando do começo”:

(a)

Eu fui alfabetizada em casa, ainda bem pequenininha. Quando estava acabando o jardim de infância, naquelas aulas que eram praticamente “corte e colagem”, eu já sabia ler e escrever. Então, fiz uma prova na escola e pulei a classe de alfabetização (C.A.) e fui direto para a 1ª série do ensino fundamental, com apenas 5 anos de idade (a idade normal é 7 anos).

Eu sempre era menor que todo mundo e por isso recebia muitos apelidos pela minha altura. Durante praticamente todo o ensino fundamental eu escondi a minha idade, para os meus amiguinhos não me acharem “criança” demais hahaha ao comemorar o meu aniversário, eu nem deixava minha mãe colocar vela com número para ninguém descobrir quantos anos eu tinha! Quanta bobeira, né? Depois acabei contando para os meus amigos e eles me perdoaram por mentir pra eles por anos kkkkk.

Óbvio que fui “zoada” no ensino médio porque eu era a única “novinha de 14” (ainda foi a época do lançamento dessa música do capeta) em pleno 2º ano, mas saí sem traumas kkkkk. A questão é que, tão nova, eu sempre soube que queria fazer Direito. Talvez a minha estória não vá ajudar as pessoas que estão fazendo vestibular ou que já estão cursando a faculdade, e se encontram cheias de dúvida sobre o curso que escolheram. Cada um leva o seu tempo pra descobrir.

No meu caso, eu via filmes sobre advogado (Advogado do Diabo, meu preferido <3), e mesmo sendo “irreal”, era o que eu olhava e me sentia instigada a fazer. Mesmo que eu não tivesse ideia quando criança de como era a rotina de trabalho, eu tinha noção de que queria estudar pra saber tudo aquilo.

  • Graduação:

Eu entrei na faculdade para começar a cursar Direito aos 16 anos de idade. É muito nova? Claro! 18 anos também ainda é “muito nova” pra escolher o “rumo” da sua carreira profissional. Muita gente não sabe o que fazer nessa idade e escolhe pela pressão que sofre de começar logo alguma coisa. Pode ser que esse sistema esteja errado? Sim, mas como é assim, quer gostemos ou não (pelo menos hoje), temos que aprender a lidar com isso da melhor forma possível.

Eu vi muita gente desistir do curso no início, no meio e até quase no fim. Em um país com tanta desigualdade social, pode ser que você não tenha esse luxo de “largar” tudo e recomeçar do zero. Pode ser que você trabalhe o dia todinho pra ajudar a manter a casa e faça sua faculdade à noite pra não deixar de estudar e tentar melhorar de condição um dia. Pode ser que pra você, que ralou pra passar numa pública ou que rala pra pagar a mensalidade da particular, recomeçar não pareça ser uma opção.

Cada um sabe onde o calo aperta. Pra quem se vê assim “sem saída” e não gosta do que está estudando, meu conselho é: se forme no curso que começou para completar uma graduação e melhorar suas opções de trabalho. Mesmo que você não goste do que está fazendo, suas chances de ganhar um salário bom com uma graduação aumentam muito! Então, depois que já tiver um trabalho na área que não gosta, comece a lutar para mudar de área e talvez já consiga bancar seus estudos em algo que goste mais de fazer.

Obs: eu não vivo a realidade de ninguém, então esse post é algo geral para ajudar quem quer que eu possa conseguir ajudar. Se eu não entendo pelo que você passa, peço desculpas. A minha intenção é passar ideias positivas para quem possa interessar.

Agora, se você está cursando algo que detestou, e possui uma estabilidade financeira em casa que te permita mudar essa situação, não sinta medo de fazer isso. Eu que sempre quis fazer Direito me vi cansada do meu curso lá pelo quinto período! Mas saiba identificar se você só está cansado da vida universitária – porque ela cansa qualquer um mesmo, ou se está insatisfeito com o curso ou com a instituição de ensino.

Se identificar que é a própria universidade, tente transferência. É mais fácil de particulares para particulares, mas as públicas também possuem essa opção com prova. Não deixe de pelo menos tentar! Eu passei no vestibular para Direito na UFRJ, mas, por falta de atenção, perdi a data de inscrição no curso. Pensei que tivesse cometido o pior erro da minha vida e depois disso passei a prestar muito mais atenção e a ter responsabilidade com as minhas coisas, mas descobri que adorei estudar em particular. Pra quem gosta de tudo “pra ontem” como eu, conseguir se formar no tempo certo é ótimo, então não foi de um todo ruim.

Veja o que cabe a você! Não existe “certo” e “errado” nesse assunto. Não é porque é melhor para a maioria que vai ser o melhor para você e vice e versa.

E se o problema for o curso mesmo, você pode até ser julgado por pessoas que não compreendam se quiser desistir dele, mas pense bem: ao mudar, você pode “perder” o tempo que já gastou fazendo esse curso; mas vai “perder” menos tempo agindo logo que identificar que esse problema existe.

Eu aguentei firme e forte as matérias de Economia, Administração e Direito Empresarial (hahaha), aguentei o dia a dia massante, os estágios desde o 3º período, e até a falta de paciência pra socializar nas aulas, e cheguei na parte decisiva pra quem faz Direito e quer advogar (ou quer provar pra si mesmo que pode passar). Sabe qual é, né? A OAB.

  • Prova da Ordem dos Advogados do Brasil:

Se você cursa os 10 períodos de Direito (5 anos) e não passa na OAB, você se forma Bacharel em Direito. Só passando na prova é que você ganha o direito de advogar. Sem a carteira da Ordem, você pode trabalhar em empresas realizando questões mais administrativas (sem formular peças) e pode prestar concurso público para cargos que não exijam experiência advocatícia também. Com a carteirinha vermelha, você pode advogar em escritórios, formar o seu próprio, ou prestar concursos que exijam um tempo tendo advogado.

Como passar nessa prova? Eu estava me formando com 21 anos de idade, mas a gente nunca quer perder tempo, não é? Então eu, com medo de não passar e ficar tentando várias vezes, resolvi fazer a prova antes, no 9º período. A prova anterior a que seria a minha tinha sido a mais difícil de todos os tempos, então o desespero bateu e eu fiquei com medo de não passar. Muita gente decide “fazer por fazer” na primeira tentativa, só pra conhecer como é a prova; mas muita gente também já entra logo num cursinho e “mete as caras”.

Eu entrei no Curso Forum, no Centro do Rio de Janeiro, com professores que inclusive me deram aula na Graduação também. Fiz para a primeira e para a segunda fases. Isso me ajudou muitíssimo, pois o curso me ajudou a lembrar coisas de matérias que eu não gostava e não me apliquei o suficiente na época. A primeira fase é objetiva, com 80 questões. Só isso já é uma prova de fogo, né?! Eu treinei algumas vezes com provas passadas porque sou muito lenta em prova objetiva. Isso ajuda bastante (tipo ENEM mesmo).

Na segunda fase, você tem praticamente 2 meses inteiros para estudar só para a matéria que escolheu como específica. Eu escolhi Direito Constitucional e passei esse tempo só estudando isso. Até saí do estágio. Algumas aulas eu via online pra pelo menos estar no conforto da minha casinha à noite.

O curso ensinou também a esquematizar o Código, de modo que apenas grifando (não pode escrever, só remissão a outro artigo) você passa a lembrar onde cada coisa se encontra na lei. É ótimo para a parte da peça processual, isso foi decisivo para eu ter conseguido passar na prova!

O importante é você escolher uma específica que realmente GOSTE. Não vá pelo que os outros falam de “escolhe essa que é a mais fácil” ou “escolhe essa que tem só 6 tipos de peças”. Se eu tivesse escolhido outra matéria, eu com certeza não teria desenvolvido minhas ideias tão bem nas respostas discursivas, nem na peça.

Pra mim, o curso ajudou demais. Mas nem todo mundo tem condições de pagar o curso para fazer a prova. Então, estude com mais afinco sozinho mesmo! Pesquise na internet, veja vídeos no YouTube, siga perfis de concurseiros e de dicas da prova, etc. Outra opção é ver se tem um amigo que faz curso e pedir para ele te mostrar os direcionamentos que as aulas estão levando, as peças que os professores passarem, etc. Os próprios professores da sua Graduação podem te ajudar também.

  • Atualmente:

Hoje em dia eu faço Pós Graduação em Direito de Família, que foi a área que me tocou para um estudo aprofundado e também foi tópico do meu TCC, além de ter feito cursos de extensão em Direito Constitucional. Até agora quero várias áreas hahaha porque gosto mesmo. Então não se obrigue a escolher logo uma, vá vendo o que te completa melhor com a prática!

Sem contar que o país está em crise e o mercado de trabalho está cruel até com os mais capacitados, então não se cobre mais que o necessário e não se culpe por fatores que não dependem de você.

Essa foi a minha experiência acadêmica, mas pode ser totalmente diferente pra você, e ainda assim dar certo! Conheço uma senhora de quase 70 anos, por exemplo, que resolveu fazer Direito depois de aposentada e agora, já formada, está tentando passar na OAB. Não existe fórmula do sucesso nem da felicidade. E isso é ótimo! É sempre bom poder ser você mesmo 🙂 🙂 🙂

Tentei resumir como foi pra mim (isso foi resumo? Ah tá), mas se vocês tiverem alguma dúvida, podem comentar aqui mesmo que eu respondo sempre!

Ajudei? Me conta?

 

 

Isabel Costa

O (eu) implícito do "venho por meio deste".

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